Pedidos de Recuperação Judicial disparam. Imagina o porquê?

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Diante do atual cenário brasileiro pós pandemia em que o país procura se reestruturar, a taxa de juros tem sido um dos assuntos mais tocados entre os economistas e especialistas em crédito.
Com os juros e as expectativas de inflação em alta, o Banco Central toma medidas cada vez mais reservadas pois não há esperança de adimplência e, por consequência, o afrouxamento de créditos torna-se parte de restrições das instituições financeiras, o que poderá resultar numa crise de crédito.
Contudo, a instabilidade econômica mencionada prejudica principalmente as empresas, tendo em vista que são as mais interessadas em empréstimos bancários para fins de investimentos e reestruturações socioeconômicas.

Ao contrário da taxa de juros, a crise de crédito não era uma pauta comum nos grandes meios de comunicações desde o ‘’efeito Americanas” e a quebra dos bancos no exterior.
Dito isso, os estudiosos começam a perceber que, provavelmente, a crise está por vir e que esses efeitos são a ponta do ‘’iceberg’’ — não como uma decadência aguda, mas sim de maneira iminente. Como aponta Torres Freire (2023): ‘’está lá como um vazamento de água que cresce aos poucos, apodrecendo paredes e vigas’’.
O fato é que diante de tais instabilidades as empresas se veem acuadas e perdem incentivos, visto que, o fluxo de caixa é asfixiado de maneira gradativa pela alta taxa de juros e pela desaceleração econômica do país.
Acredita-se que a conta da pandemia de fato chegou, uma vez que a prevista “futura crise” já é real. Sabendo que esse aperto tem sido apresentado desde junho de 2022, as taxas de juros alavancaram e as empresas tinham tomado diversos créditos e a perspectiva de crescimento da economia passou a ser menor e incerta (TORRES, 2023).
Devido ao panorama nacional – instabilidade econômica, desaceleração na concessão de crédito e alta taxa de juros – as empresas estão se tornando inadimplentes em virtude da dificuldade de operar. Observa-se, pois, os gráficos abaixo:

As dificuldades que surgem são alertas para que os empreendedores analisem quais serão seus próximos passos e saibam como reagir aos efeitos negativos que a crise pós pandemia poderá trazer ao país. A luta para sobreviver, por enquanto, deverá ser a realidade de muitas empresas.
Sob a perspectiva judicial, a referida luta pela sobrevivência tem sido apresentada através do aumento considerável do número de pedidos judiciais no Brasil, esperando-se que os pedidos de recuperação judicial cresçam em mais de 50% comparado ao ano passado.
“Com o agravamento da inadimplência das empresas, que cresce desde setembro de 2021, era inevitável que elas chegassem neste patamar de pedidos de recuperação judicial. Ainda que a curva de crescimento do atraso nos compromissos financeiros das companhias desacelere, é possível que a insolvência das empresas continue crescendo”, avalia o economista da Serasa Experian, Luiz Rabi.
Dentre as empresas que impetraram com pedidos de Recuperação Judicial estão gigantes do varejo e da indústria como Americanas, Amaro, o Grupo da Cervejaria Petrópolis, Raiola e a Oi.
A expectativa de crescimento do número de recuperações judiciais e falências desde a Pandemia vem se consolidando em 2023, como se vê nas informações trazidas pelo Serasa Experian

Em Sergipe, dois grandes grupos industriais impetraram com recuperação judicial o Grupo ACF, composto por Sergipe Industrial Têxtil – SISA e Nortista, e a DOK Calçados Ltda, empresas industriais com atuação em todo o Brasil.
A análise na decisão de impetração de recuperação judicial é complexa e de suma importância para o sucesso da demanda, especialmente, quanto ao tempo correto e estruturação para a realização do pedido, sob pena de ter um agravamento da situação de crise.

 

Fontes:

Serasa Experian

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2023/02/concessoes-de-emprestimos-para-empresas-caem-248-em-janeiro-diz-bc.shtml

https://www.estadao.com.br/economia/coluna-do-broad/pedidos-de-recuperacao-judicial-disparam-e-devem-ter-alta-de-50-neste-ano/

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/viniciustorres/2023/04/crise-de-credito-das-empresas-nao-e-asfixia-mas-falta-de-ar-esta-feia.shtml

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painelsa/2023/04/onda-de-pedidos-de-falencia-cresce-em-marco.shtml

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2023/03/queda-no-credito-para-empresas-se-intensifica-com-juros-altos-e-efeito-americanas.shtml

https://www.migalhas.com.br/quentes/384800/pedidos-de-falencia-subiram-mais-de-40-em-um-ano-recuperacao-6-8

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